Categoria: Saúde

  • Reality Shows podem impactar desenvolvimento dos jovens, diz especialista

    Reality Shows podem impactar desenvolvimento dos jovens, diz especialista

    Sem dúvidas, os reality shows viraram “febre” no Brasil e no mundo. Também conhecidos pelo termo reality television (realidade de TV), consistem em um gênero de programa televisivo baseado na vida real.

    No entanto, mesmo com tanta popularidade global, o conteúdo exibido pode acabar indo além do entretenimento, com potencial de desencadear impactos à questão mental.

    Segundo a terapeuta Gláucia Santana, os principais afetados consistem no público jovem. Isso ocorre porque esse grupo apresenta desenvolvimento ainda incompleto nos âmbitos mental, cognitivo e emocional.

    “Reality shows deixaram de ser apenas entretenimento para se tornar um espelho da vida social contemporânea. Para jovens e adolescentes, esse ‘espelho’ pode funcionar como escola silenciosa de comportamento”.

    Em outras palavras, a especialista explica que os jovens ainda estão em processo de descobrimento das suas próprias identidades. Deste modo, as produções podem acabar influenciando o rumo dessa evolução natural.

    “Na clínica, isso aparece com frequência: não é que o reality ‘crie’ personalidades do zero, mas ele oferece modelos, roteiros e recompensas emocionais que podem ser incorporados com facilidade por quem ainda está construindo identidade, pertencimento e autoconceito”.

    Impactos mentais do Reality Show

    Mais do que apenas programas televisivos, Gláucia destaca que os conteúdos exibidos podem operar de maneira específica na percepção juvenil. Isto é, os acontecimentos estão diretamente ligados à forma como esse público vê o mundo.

    “Do ponto de vista psicanalítico, essas produções opera como um ‘laboratório de laço social em tempo real’. Jovens assistem a conflitos, alianças, rejeições e ‘vitórias’, como se esses fatores fossem uma aula sobre como se posicionar no mundo”.

    Neste contexto, há uma questão com potencial de ser considerada a mais preocupante: a referência externa. Ou seja, o modo como utilizam os realities como instrumento para a assimilação da realidade.

    “Do ponto de vista clínico, o risco mais delicado é quando o jovem passa a usar a lógica do reality para conduzir a vida real: relacionamentos viram disputa, amizade vira teste, conflito vira espetáculo, e a própria identidade vira performance para aprovação. A pessoa começa a se moldar não pelo que acredita, mas pelo que imagina que será aceito”.

    Os resultados são, consequentemente, graves, especialmente quando se trata da identidade pessoal. Quando há a junção desses fatores, é possível que o jovem se sinta ‘perdido’, como se não houvesse um espaço para agir de maneira individual e fortalecer a autoestima.

    “Isso cobra um preço psíquico: o sujeito se distancia de si para pertencer. O resultado pode ser um aumento de insegurança, irritabilidade, impulsividade e dificuldade de sustentar vínculos profundos”.

    Como evitar os impactos?

    A questão mencionada pela profissional não é necessariamente deixar de consumir o conteúdo, mas não torná-lo verdade absoluta. Também é importante saber impor limites, em casos de maior gravidade.

    “Consumir esse tipo de conteúdo de forma saudável não significa ‘demonizar’ o reality, mas aprender a não ser consumido por ele. A postura mais crítica começa com limites simples: reduzir tempo de exposição, evitar acompanhamento 24 horas e perceber quando aquilo está interferindo em sono, humor e rotina”

    Gláucia finaliza destacando que os programas envolvem pessoas de personalidades diferentes. É fundamental ter consciência da própria essência, não deixando que o externo mude o caráter individual.

    “Também ajuda lembrar que existe edição, recortes e narrativa – e que transformar um trecho em sentença moral é uma forma de empobrecer o pensamento. O consumo mais saudável troca a pergunta ‘quem eu odeio ou defendo?’ por ‘o que eu aprendo sobre limites, comunicação, autocontrole e reparo?’. A questão é não transformar torcida em identidade”, finaliza.

  • Dia das Mães: Entenda os desafios ocultos que milhares de mães brasileiras enfrentam

    Dia das Mães: Entenda os desafios ocultos que milhares de mães brasileiras enfrentam

    O Dia das Mães é uma data internacional com o objetivo de homenagear as figuras maternas. Representa, fundamentalmente, o carinho, o amor e os vínculos familiares preservados.

    No entanto, nem sempre a realidade é tão doce. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre-FGV), o Brasil registrou cerca de 11 milhões de mães solo em 2022; o crescimento foi de 1,7 milhão em um período de dez anos.

    Além disso, conforme outra pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o número de divórcios também cresceu em um intervalo de 12 anos, saltando para 420 mil em 2022.

    De acordo com Caroline Serbaro, advogada especialista em Direito de Família, o cenário de separação não representa, necessariamente, um “fracasso”. Em muitos casos, mostra uma escolha de priorização da própria pessoa, além de rompimentos saudáveis.

    “A família brasileira está passando por uma transformação importante, onde muitas mulheres estão deixando de sustentar relações que já não fazem sentido emocional, psicológico ou até mesmo ético”.

    Potenciais desafios

    Todavia, essa circunstância acaba impondo a inúmeras mulheres um desafio adicional: a maternidade solo. Caroline explica que essas mulheres não apenas enfrentam os deveres maternais;  muitas vezes, elas acabam passando por dificuldades legais.

    “As mães solo enfrentam uma sobrecarga em múltiplos níveis. No aspecto legal, muitas ainda lidam com a dificuldade de garantir direitos básicos, como pensão alimentícia adequada, cumprimento do regime de convivência e divisão equilibrada de responsabilidades parentais”.

    Além disso, há o aspecto emocional: o fato de muitas mulheres terem de carregar suas obrigações sozinhas, em certos casos, sem qualquer ajuda familiar.

    “Para além do jurídico, existe um peso emocional muito significativo. Essas mulheres frequentemente acumulam funções – são mães, provedoras, educadoras e suporte emocional – muitas vezes sem rede de apoio. Existe também um desafio interno, que é sustentar a própria força sem se desconectar de si mesmas”, destaca a advogada.

    Quais são os direitos legais às mães solos?

    Apesar de muitas mulheres desconhecerem seus direitos, existem normas jurídicas que visam à segurança e à integridade maternal. Dentre os regulamentos, a advogada lista:

    • O direito à pensão alimentícia justa, que deve considerar as necessidades da criança e a capacidade financeira de quem paga;
    • A possibilidade de regulamentação de guarda e convivência, para trazer previsibilidade e segurança à rotina dos filhos;
    • O acesso à justiça gratuita, em muitos casos, para que a falta de recursos não seja um impedimento;
    • Em situações mais delicadas, medidas protetivas, quando há qualquer tipo de violência ou risco.

    As normas envolvem mais do que atuação jurídica; a advogada finaliza mencionando a importância desse conhecimento para a dignidade e preservação feminina, a fim de garantir uma realidade mais justa.

    “A via extrajudicial, quando possível, pode ser um caminho seguro, mais célere e menos desgastante para a resolução de conflitos familiares. Mais do que conhecer a lei, é fundamental que essas mulheres reconheçam que têm direitos – e que podem e devem exercê-los. O primeiro passo é interno: compreender que merecem respeito, suporte e dignidade – e que não precisam aceitar menos do que isso”, conclui.

    *O texto contém informações dos portais Terra e G1